Um dia de “escrivinhadora”.

Eu sempre gostei de ler e escrever. Quando era criança, escrevia mais do que lia. Fiz até um livrinho super legal na alfabetização, chamava-se “A Piscina”. Bom, na verdade não se chamava exatamente assim, porque eu era pequena e escrevi “A Picina”. Gentilmente, a minha professora escreveu um S bonito, de caneta vermelha bem na capa do livro… Quando você é criança, você não tá nem aí. Depois, quando cresce e vê o troço rabiscado por um adulto que não teve a sensibilidade de compreender a criatividade de uma criança, você pensa: “mas que professora filha da p***!”.
De qualquer forma, o livrinho é legal de ver, até hj.
Depois, passei a ler mais do que escrever. Meus períodos de adolescência podem ser resumidos a uma pilha de livros. Não tenho nada do que reclamar em relação à isso, porque nesta época as pessoas estão mais preocupadas em beber, fazer coisas idiotas e agir como idiotas, então não perdi muita coisa.

Os livros me renderam poucos amigos, mas que eu tenho contato até hoje.

Ainda nesta época também tinha a mania de fazer diários. Muito legal isso! Eu escrevia fielmente, todos os dias. O único problema era guardar os diários velhos, depois que o ano acabava…
1º. ano: OK.
2º. ano: tá, eu guardo.
Mas quando eu cheguei no terceiro diário, resolvi dar um basta. ‘Inteligentemente’ decidi que se eles fossem jogados no lixo (aqueles bem cheios de coisa, que ninguém ia ter coragem de fuçar) eu ia me livrar de ter que ficar escondendo tudo o que eu tinha escrito. Era até legal olhar nos antigos e ver o que eu tinha feito nesse mesmo dia, 2 anos atrás. Era legal tbm quando você fica mais velha e lê aqueles comentários bobos, meio infantis mas que te trazem tanta saudade…
Enfim, joguei no lixo.
Alguns meses se passaram, eu mudei de estado pra poder estudar e estava tudo ótimo. Uns meses depois, nesses telefonemas semanais com a familia, minha mãe pergunta:

- “Filha, você perdeu algum diário?”.

Nossa, que sensação horrível! Desconversei e prossegui a conversa:

- “Não mãe, não perdi nada não…. Por que?”

-”Ligou uma mulher pra cá, falou que tinha achado um diário seu… falou que tinha o seu número de telefone e ligou, caso você queira de volta. Mas se você não perdeu nada, então tá bom.”

Burra, burra, burra, burra!!!!!!! Como eu não lembrei de fazer isso?? Como eu não lembrei de arrancar a primeira página das agendas? Me senti a mais idiota de todas por ter deixado essa informação à vista. Agora todos podem ler o que eu escrevi e saber quem eu sou. Vão saber como eu me senti no dia em que eu fiquei menstruada, dos dias rebeldes, dos segredos das amigas… ah, não!!!
Talvez a moça que achou até se divirta um pouco. Ou chore, ou ria, ou sinta raiva, ou me ache uma total imbecil. Mas o fato é que já estava tudo com ela e eu não ia ousar pedir de volta… imagina a cara?

Bom, depois disso tudo, parei de fazer diários. Voltei aos livros.
Aí chegou a fase das cartas. Ahhh cartas…
Cartas para amigas nos aniversários. Cartas para namorados. Cartas sobre o dia…
Cartas com quebra-cabeças, recortes, adorava!!
E, em plena época de vestibular, eu e minhas amigas ficávamos fazendo história em quadrinhos sobre as coisas das nossas vidas. Era tão divertido também!
E mais cartas…
Nessa época também, estava empolgadíssima com os ‘blogs’ na internet, tentei manter um blog, mas como ninguem lia, eu desisti. Tá, agora não está muito diferente não, mas pelo menos não me importo mais se sou “pop” ou não.

Depois, acabaram-se as cartas. Não gostava de mandar cartas e não ter uma carta pra ler.

Voltei aos livros. Na verdade, nessa época eu já estava na faculdade, então os livros que eu passei a ler mais tinham a ver com cálculos e físicas, corolários e teoremas, do que histórias interessantes.

Fiquei um tempo em hiato.
Simplesmente não andava nem pra frente, nem pra trás. Acho q andava de lado…

Dediquei-me a fazer montagens de fotos, caixinhas de madeira, pintar quadros e outras “Artes”.
Mas isso não durou muito. Um dia era um quadro. Outro dia era uma caixa. Aí parti para o Scrapbook. Fiz album digital, manual, tudo…
Depois desisti novamente.

E então retomei o Scrapbook.
Fiz video montagem.

Agora, me contento escrevendo cartas (ahhhh, as carttttassss) e coisas desse tipo, que me vem a cabeça. É legal mesmo.
Voltei aos livros, me impressionei como posso ler rapidamente 350 páginas em menos de uma semana (lendo somente no horário do almoço e quando espero ônibus - desde a época de Harry potter eu não lia tão rápido)!
Voltei a escrever. Subitamente, sinto vontade de falar sobre assuntos comuns. Sobre mim. Sobre o mundo. Sobre viagens. Sobre bichos….
E ainda estou assim.
Mas até quando?

;)

One Response to “Um dia de “escrivinhadora”.”

  1. Darvson says:

    A vontade foi até dia 10 de Setembro. Depois você não escreveu mais.

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